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06 abril 2010

Contagem decrescente

Não me refiro à contagem decrescente para o nascimento da segunda cria, cujo nome ainda não vou divulgar por uma questão de solidariedade para com a Joaninha.

Refiro-me, isso sim, ao quarto aniversário da pequena cria e à contagem decrescente, muito sofrida, em que a minha querida mulher se encontrava há quatro anos atrás.

Sofrida porque, para quem não sabe, a Sónia deu entrada em Santa Maria com uma coisa rara apelidada de contracção contínua – e o nome já diz tudo – na manhã do dia 5 de Abril de 2006 e a Joana só berrou, pela primeira vez, às 19h30 do dia 7.

Muitas horas de espera que, graças a Deus, acabaram em bem de modo a podermos, amanhã, comemorar o aniversário da Joana.

O Papá

08 março 2010

Dia da Mulher


Para a minha querida mulher e para a minha querida filhinha, as mulheres da minha vida.

O Papá

13 fevereiro 2010

Espontaneidade asneirenta

A banda dos bombeiros voluntários cá da terra estava a ensaiar, como, geralmente, fazem todos os Sábados, e a pequena criatura foi logo a correr para a janela para assistir ao espetáculo.

A meio da musiqueta, foi à casa de banho e voltou, cheia de pressa, de modo a continuar a ver o bombeiral musical.

Quando chegou à janela a música parou e, com um ar muito indignado, a filhinha deixou soltar um sonante “merda”!

Sem acreditar bem no que tinha ouvido, vindo duma miniatura como a Joana que ainda nem fez quatro anos, perguntei-lhe, em tom mais ríspido, o que é que ela tinha dito, o que motivou um imediato pedido de desculpas.

Mas a coisa não podia ficar por ali e, após duas ou três insistências, a pequena cria lá se prostrou, muito cabisbaixa, à frente dos papás para voltar a pedir desculpa pelo que tinha dito e receber um pequeno sermão educativo sobre a asneirola.

O Papá

12 fevereiro 2010

Primeiro contacto

Estava quase na hora de acordar e, por conseguinte, foi uma excelente maneira de abrir a pestana.

A minha querida mulher agarrou na minha mão e encostou-a à barriga…

O bebé deve-se ter apercebido que o pai estava com saudades destas pequenas maravilhas da natureza, continuou a mexer-se e presenteou-me com um pequeno – digo eu – pontapé.

O Papá

29 outubro 2009

Perguntas estúpidas

Às vezes, nem damos por isso, talvez por distração, cansaço ou porque são situações tornadas tão corriqueiras que já nem ligamos, mas a verdade é que, por vezes, somos confrontados com perguntas estupidamente ridículas…

- Quando estás na cama, deitado, de olhos fechados e luz apagada e alguém entra e pergunta se estás a dormir…

Ridículo e merecedor de resposta do género “A dormir? Nada disso… Estou a treinar para quando morrer”.

- Quando levamos um electrodoméstico para um daqueles estabelecimentos reparadores e o gajo do balcão pergunta se o aparelho está com problemas… Dá vontade de responder que não, que o coitado do aparelhómetro estava cansado de estar em casa e que fomos ali só numa de dar um passeio para desanuviar.

- Ou quando um gajo acaba de acordar, ainda a esfregar os olhos e a bocejar à força toda, e alguém pergunta se já estamos acordados…

A resposta óbvia é que não… “Não acordei. Estou a sonhar alto ou com um ataque de sonambulismo.”

- A coisa tinha mais impacto há uns tempos atrás, quando os telemóveis não faziam parte do nosso quotidiano e a populaça ainda tinha, na sua larga maioria, telefone fixo.

Quem não se lembra de algum otário ligar para o número fixo lá de casa e perguntar “onde estás?

Onde estou… Ora que essa… Estou algures no Pólo Norte. A porra da casa foi levada por um furacão.

- Um gajo está a acabar de tomar banho e a pergunta é sempre a mesma… “Já tomaste banho?

O normal é deixar andar, numa de evitar melindres, mas a resposta óbvia seria qualquer coisa como “Não. Não tomei banho. Estou molhado porque dei um mergulho na sanita.

- Com toda a certeza, os leitores possuidores de garagem no prédio em que habitam já passaram pela situação de estar à espera do elevador quando chega um vizinho que pergunta, com um ar risonho e descontraído, se vai subir…

Dá vontade, eu sei… “Não, senhor. Estou à espera que o meu apartamento desça e me venha buscar.

- Outra situação típica de pergunta estúpida é quando um gajo está, pacatamente, a cagar na casa de banho do emprego e alguém bate à porta, que, por acaso, até está trancada e com aquele sinal vermelho a dizer Ocupado, e pergunta se está alguém…

A resposta óbvia e imediata, a não ser que um gajo se aperceba que é o administrador que pretende sentar-se no trono, é que não… “Não, não está ninguém. É um bocado de merda, que aqui ficou, que está a falar.

Pior do que estes exemplos, e os leitores que sejam pais sabem-no bem, só mesmo quando somos confrontados pelas pequenas crias.

- Um gajo está a lavar a loiça e a pequena criatura, numa de meter conversa, pergunta “o que estás a fazer?

Regra geral, isto pode dar azo a duas respostas com consequências bem diferentes.

Dá para responder qualquer coisa estúpida, tipo “estou a vestir as calças” e, nesse caso, a esperta da cria começa a rir e diz “não estás, não… Estás a lavar a loiça!” e temos o assunto resolvido ou podemos responder a verdade, o que, muitas vezes, leva a uma situação de quase insanidade mental…

Estou a lavar a loiça.” … “Porquê?” … “Porque a loiça estava suja.” … “Porquê” … “Porque estivemos a jantar.” … “Porquê?” … “Porque tínhamos fome.” … “Porquê?” … “Porque já não comíamos há algum tempo e o corpo precisa de alimento.” … “Porquê?” … “Porque sem alimento o corpo não resiste e cai no chão.” … “Porquê?”, “Porquê?”, “Porquê?”

O Papá

12 outubro 2009

Aulas de governabilidade e de economia

Estive a ver o blog do papá e, por ser um tema que me parece importante para muitos papás que por aqui passam, o tema das condições de vida das famílias, decidi, com a devida autorização do papá, transcrever este post.

A Cria

"Este fim-de-semana tive a oportunidade de rever um Amigo de longa data, alguém que não via há 10 anos, a última vez que fui a Espanha.

Alguém que não vinha a Portugal há cerca de 20 anos, altura em que, depois de uns anos de trabalho cá no burgo, se viu obrigado a voltar a Espanha, na sequência de ordens superiores, vindas do país vizinho, que determinavam o fecho da fábrica, em que trabalhava, por motivos financeiros.

Claro está que, depois de relembrar os velhos tempos e de muito passeio por Lisboa, Cascais e Sintra, a conversa incidiu sobre a evolução de Portugal e de Espanha e a realidade que se vive, actualmente, em ambos os países, ambos, sublinhe-se, afectados pela crise internacional.

Com crise ou sem crise, as diferenças abismais não são, obviamente, de agora e tudo começou há muitos anos atrás, quando o país vizinho soube começar a aproveitar a conjectura internacional e as ajudas que lhe foram sendo proporcionadas para inverter a situação e “disparar”, em termos económicos e sociais, ao contrário de Portugal que estagnou e ficou ultrapassado.

Com crise ou sem crise, é nestas alturas que me pergunto para que é que pénis serviu, ou serve, a União Europeia, o Euro e mais uma série de merdas derivadas da inclusão deste pequeno recanto numa Europa que, supostamente, deveria ser mais equitativa.

À laia de notas soltas, aqui ficam algumas das muitas diferenças entre os dois países da Península Ibéria e permitam-me, os caros leitores, relembrar que ambos os países são governados por socialistas, ambos com uma taxa de desemprego muito elevada, ambos com problemas de segurança, ambos a braços com reivindicações sociais, ambos etc, etc, etc.

- O ordenado mínimo em Espanha ronda os 630 euros, ou seja, 180 euros mais que os 450 euros cá do burgo, sendo um valor superior, por exemplo, ao ordenado da minha querida mulher, o que a deixou boquiaberta e algo revoltada.

Dizem as estimativas que no não muito longínquo ano de 2012 o ordenado mínimo em Espanha deverá rondar os 800 euros, enquanto que o nacional deverá andar por volta dos 500… Trezentos euros de diferença dentro de pouco mais de dois anos e meio.

- O meu estimado Amigo fez quase mil quilómetros para vir desde Valência até Lisboa, dos quais setecentos – nas chamadas auto-vias espanholas e que são iguais às nossas auto-estradas – sem pagar um cêntimo e trezentos, depois de entrar em território nacional, a pagar os valores que todos conhecemos.

Dirão os estimados leitores que em Espanha também se pagam portagens e com valores bem superiores aos praticados cá no burgo…

É verdade, sim senhor, mas tal facto verifica-se em auto-estradas exploradas por entidades privadas e não nas vias a cargo do estado espanhol.

E, repito, as tais das auto-vias são iguais ou superiores às nossas auto-estradas que passam a vida em obras.

- Continuando na senda dos desgraçados dos automobilistas, refira-se que, em Espanha, o litro de gasolina 95 custa, em média, porque o preço varia muito entre estações de serviço, 1,050 euros, enquanto que cá no burgo a populaça desembolsa 1,261 euros por cada litro.

No gasóleo a diferença não é tão acentuada mas, ainda assim, o litro em Espanha continua a ser mais barato que em Portugal.

- Por ser um indicador forte do nível de vida dum cidadão, continuámos a falar de assuntos relacionados com carros e, mais uma vez, as diferenças vieram à tona.

Uma hora de aluguer de karts, coisa de que este Vosso interlocutor é aficionado, é qualquer coisa como sete a dez euros mais barata em Espanha.

O Ford Focus com o motor 1.400 de cilindrada e oitenta cavalos de potência, que em Espanha nem sequer existe à venda, custa, cá no burgo, 19.100 euros… Em Espanha, o Focus 1.600 com 100 cavalos custa, com o mesmo nível de equipamento, 16.450 euros. Ou seja, mais carro por menos dinheiro.

A diferença acentua-se, fenómeno sobejamente conhecido de quem se interessa por estas coisas das quatro rodas, quando passamos a escalões superiores, como, por exemplo, o BMW 320d que custa 30.000 euros em Espanha, contrastando com os 42.450 euros pedidos pelos concessionários cá do burgo. Nada mais, nada menos do que doze mil, quatrocentos e cinquenta euros de diferença.

E os gajos ganham, em média, bem mais do que nós!

- Quando chegou a altura de meter uma das crias na escola do estado, o meu caríssimo Amigo deparou-se com falta de vagas na escola pretendida.

Cá no burgo, e isso aconteceu com a minha querida filhinha, falta de vagas é igual a desespero dos pais que ou têm com quem deixar as crias ou têm que fazer o sacrifício de aguentar a mensalidade dum infantário particular.

No país vizinho, a partir duma determinada idade, a escolaridade é obrigatória e, se não existem, criam-se vagas.

Para o efeito, a direcção da escola tirou dois ou três alunos de turmas já existentes e juntou-os numa nova turma, onde incluiu a cria do meu referido Amigo.

Além disso, os pais recebem um subsídio do estado para a compra de livros e material escolar, qualquer coisa como 150 euros, que lhes permite encarar aquele mês de compras para o ano escolar com um maior optimismo do que aqueles pais que ouvimos a queixarem-se num qualquer telejornal cá do burgo.

- Apartamentos T2? Isso é para os casais reformados que, atendendo à idade, que vai avançando, já não têm pachorra para limpar uma casa maior e quantos menos passos derem, para ir da sala para o quarto, melhor.

Em Espanha, o normal é começar logo com um T3 ou um T4 ou, porque não, pensar numa pequena vivenda, ainda que geminada, porque as condições de financiamento proporcionadas pelos bancos e as ajudas que possam vir do estado permitem a uma jovem família optar por esse tipo de habitação.

Sim, eu sei… Mas isso, meus caros leitores, é igual a Portugal… Há zonas mais caras e há zonas mais baratas e, nesse particular, as zonas caras de Espanha são realmente caras.

Há, no entanto, que saber escolher e tomar uma opção de vida, tal como cá no burgo.

- Esta coisa, tão apregoada pelo Sr. Sócrates, de melhor conciliar a vida familiar com a vida laboral é também “tema de campanha” em Espanha.

Em primeiro lugar, a populaça tem a oportunidade de solicitar a chamada meia jornada, ou seja, trabalhar quatro horas e receber cerca de 400 euros.

Neste particular, ficou-me a dúvida sobre se o valor apresentado foi dado como sendo o valor realmente pago, e ponto final, ou se aparecia como resultado de algum exemplo prático.

De qualquer maneira, a populaça espanhola continua a ter muitas facilidades no que toca a flexibilidade de horários e continuam a dar o eterno exemplo de trabalhar das nove às dezoito de segunda a quinta e das nove às catorze e trinta à sexta-feira.

Diga-se, de passagem, que aquela gente tem direito a 30 úteis de férias e, em alguns casos, sete dias extra para tratar de assuntos pessoais.

É caso para perguntar… Se é possível em Espanha, porque é que não é possível cá no burgo?

Em suma, e no computo geral, a comparação continua a ser a mesma de há anos a esta parte e resume-se ao facto de que os espanhóis ganham mais e têm um custo de vida mais acessível, ao passo que o miserável do tuga ganha menos e tem um custo de vida, em média, mais caro.

Claro que nem tudo são rosas e que, no país vizinho, também há muita merda, mas uma coisa é certa:

Numa Espanha igualmente a braços com o flagelo da crise e do desemprego, a classe média mantém-se maioritária e com um nível de vida acima do razoável, enquanto que cá no burgo essa mesma classe média está cada vez mais pobre e tende a desaparecer.

Dito tudo isto, talvez seja hora dos nossos governantes, nomeadamente o Sr. Sócrates, tirarem uns dias de licença sem vencimento e irem ter umas aulas de governabilidade com os seus homólogos espanhóis."

23 setembro 2009

Não se assustem

O Traquina e Irrequieta não deu de frosques, estamos por cá e, de vez em quando, até vamos lendo os blogs amigos.

No entanto, a falta de tempo para escrever no nosso espaço familiar tem sido notória, especialmente porque queremos publicar umas fotos e uns filminhos, que são coisas que nos tomam algum tempo extra que nem sempre é fácil de conseguir.

A pequena cria está “gRRande”, esperta que nem um alho e viciada no Dartacão, e, aparte disto, a vida familiar vai andando sem grandes sobressaltos e sem muitas grandes curiosidades que sejam dignas de grandes registos.

Fica a promessa de regressarmos brevemente com as traquinices dignas de registo.

O Papá

10 setembro 2009

Pais e filhos

A mais pura das verdades é que há, por esse mundo fora, pais que não o deviam ser, por autênticas bestas que são, e outros que não o deviam ser por serem relativamente bestas ou, mais simplesmente, porque, digo eu, não devem gostar dos filhos que têm.

Ainda que gostos não se discutam, há, por exemplo, nomes que qualquer mãe ou pai, no seu perfeito juízo e gozando das suas capacidades em pleno, nunca dariam a um filho.

Há alguns dias atrás, ouvi uma mãe a chamar pela filha e, ainda que já não me lembre do nome da cria, lembro-me de levar as mãos à cabeça e pensar que a pobre da criança corre sérios riscos de ter uma vida infeliz.

Primeiro, vai ser gozada, até à exaustão, pelos colegas da escola, seja lá com que idade for, porque a criançada não perdoa estas coisas e um nome tipo Virgulina, Eustácia, Fabrizinha ou Pandora, não passa despercebido e é logo motivo de chalaça.

Segundo, porque qualquer gajo, com um mínimo de bom gosto, quando souber o nome da miúda – engraçadita, por sinal – que está ali a fazer-lhe olhinhos, bate, imediatamente, em retirada, com receio de ter que lhe dar o seu apelido, caso venham a casar.

Outro exemplo, que, sinceramente, nunca tinha visto, é o caso dos pais que tratam os filhos como cachorros.

Explico… Hoje de manhã, a caminho do trabalho, deparei-me com uma mãe que levava as duas crianças amarradas por uma trela, tipo quem andava a passear os dois cães que estavam à rasca para fazer uma mijinha.

Nada de amarrações aos pescoços das pequenas criaturas, não, mas, de qualquer maneira, indignou-me ver os miúdos a serem puxados por um pedaço de trela amarrada a um dos pulsos.

Crianças demasiadamente endiabradas para poderem passear um pouco mais à vontade com os pais?

Duvido, porquanto iam muito sossegados, talvez por já estarem habituados ao efeito da trela.

Estupidez, cretinice e uma enorme falta de paciência dos paizinhos para acompanhar as crianças no seu processo de conhecimento e exploração do mundo que os rodeia?

Parece-me, esta, uma razão mais plausível.

Pena que as crianças não tenham a força dum pitbull, de modo a, sem qualquer tipo de aviso, darem um violento puxão no braço da mãezinha que a levasse a bater com a cornadura num qualquer poste de iluminação.

O Papá

Nota – Também publicado no Sempre a Produzir

02 setembro 2009

Férias 2009 - II

Três e meia da manhã e eu que dormia ferrado, até sentir alguém a tocar-me no ombro…

Bom dia, papá, bom dia! Tenho fome. Quero torrada com fiambre e manteiga e leite com chocolate e ver a Pipi das Meias Altas!

O que vale é que foi uma noite sem exemplo.

O Papá

08 julho 2009

Importado do blog do Papá – Gripe A – II

Dizia eu que começa a ser preocupante esta coisa da Gripe A, especialmente quando vemos a maleita a aproximar-se de certos limites geográficos demasiadamente próximos da nossa zona habitacional.

Na altura, referia-me à tal escola em Benfica mas hoje levo com a notícia de dois casos em estabelecimentos de ensino de Mem Martins, precisamente onde a famelga tem o seu ninho.

Às oito e meia da noite o telemóvel toca e confesso que senti um pequeno baque quando vi que era uma chamada do colégio da pequena cria.

Nada de especial, afinal, mas a coisa assemelha-se ao que referia num dos posts anteriores com a tal história do amigo da amiga do irmão, blá, blá, blá…

Nada de especial porque não há razões para alarmismos, mas o que é certo é que a directora do infantário da nossa traquina ligou para comunicar que o irmão duma aluna frequenta um dos colégios onde foi detectado um caso da gripalhada.

Não há razões para alarme mas a porra da maleita anda muito próxima.

O Papá

Importado do blog do Papá – Gripe A – I

Esta coisa da Gripe A começa a preocupar este Vosso interlocutor, especialmente quando se verifica que, nos últimos dias, o número de casos infectados com o cabresto do vírus tem aumentado de forma assustadora, tendo em conta a pequenez deste burgo à beira mar plantado.

Começa a preocupar quando se ouve um altíssimo carola, com altíssimas responsabilidades no que toca à saúde da populaça, dizer, alto e bom som num qualquer telejornal, que o número de infectados poderá, num curto espaço de tempo, ascender a uma centena e que 25% da populaça cá do burgo poderá estar infectada lá por alturas do Outono.

Começa a preocupar quando percebo que a coisa está, efectivamente, próxima de certos limites geográficos, atendendo à notícia da RTP que dá conta do encerramento do Externato das Pedralvas, já aqui ao lado, por causa de cinco casos confirmados da porra da gripalhada.

E este mundo é muito pequeno...

Sei lá eu se a amiga do amigo da amiguinha do amiguinho que é primo do amigo da amiga da irmã da amiga da minha pequena cria não tem uma amiga que é amiga do amigo do irmão duma das crias infectadas.

O Papá

30 junho 2009

Maleita

“Mamã… Papá… Dói a boca” – disse, por várias vezes, a pequena cria, enquanto apontava lá para dentro.

E, afinal, o caso era bem simples.

Dói a boca é igual a dói a garganta, que está, efectivamente, um bocado inflamada.

O Papá

27 maio 2009

Ronha matinal

Já lá vai o tempo em que víamos a pequena cria a acordar sem criar problemas de maior para sair da cama, bem disposta e cheia de genica.

Aquela coisa de saltar da cama, cheia de pressa para enfrentar o novo dia, já era.

Agora, ainda que mantenha a mesma boa disposição e a mesma genica depois de estar verdadeiramente acordada, tirar a Joana da cama é uma complicação dos diabos que tem que ser muito bem gerida pelos pais, já que a pequena cria entrou, definitivamente, na fase da ronha matinal.

Neste particular, é de salientar que sai, cem por cento, à mamã, quer na maneira como se aninha para dormir quer na ronha para sair da caminha.

O Papá

23 abril 2009

Inglês “made by Joana”

Antes do jantar, a filhinha esteve entretida a ver “Os Aristogatos”, falado em inglês porque o pai não vai muito à bola com as dobragens para o português… Não sei porquê, mas não me soa bem.

Uma das músicas do filme, que a pequena cria adora e que vai repetindo à sua boa maneira, diz que “everybody wants to be a cat”.

Acabado o filme, era ver a Joana a correr pela casa, carregada de bonecada a cantar “elibóli elibóli”.

O Papá

31 março 2009

Declaração vs. Atestado

Por ocasião da obtenção de uma porcaria qualquer que dissesse que a minha querida mulher teve que ficar em casa com a filhinha que estava doente…

Eu declaro
Tu declaras
Ele (o médico) declara

Eu atesto
Tu atestas
Ele (o médico) atesta

Nós declaramos
Vós declarais
Eles declaram

Nós atestamos
Vós atestais
Eles atestam

Atestado ou declaração? Desde que justifique a falta, parece-me exactamente a mesma coisa, ou não?

Ou serão preciosismos como este que impedem este país de andar para a frente?

O que interessa é que a pequena cria já está melhor e já foi para o infantário, toda contente apesar da recente mudança da hora.

O Papá

22 março 2009

Borbulhas

Estávamos, a minha querida mulher e eu, a ver umas coisas no computador quando senti uma necessidade imperiosa de ir à casa de banho.

Quando lá cheguei, estava ocupada pela pequena cria que, com um ar doce, me disse que tinha umas borbulhas na cara, enquanto me estendeu uma bisnaga de creme.

Olhei para a embalagem e suspirei de alívio, ao verificar que estava fechada e que não havia vestígios de creme na cara da filhinha.

O creme escolhido pela pequena criatura para aliviar as borbulhinhas era, nada mais, nada menos, o creme depilatório da mãe…


O Papá

18 março 2009

Amuado

Assim que arranquei com o bólide, em direcção à escola, a pequena cria começou, tagarela, a debitar palavras a torto e a direito.

De repente, fez uma pausa e chamou: “Pai, pai!

Sim, filha. O que foi?” – respondi-lhe.

A resposta foi qualquer coisa como Gonçalo amuado ou Gonçalo muado ou Gonçalo nuado da Joana.

Engoli em seco e olhei para a mãe, que, com um sorriso doce, se antecipou e, antes que eu pudesse dizer fosse o que fosse, voltou a perguntar à filhinha o que é que ela tinha dito.

A resposta foi a mesma, que é como quem diz “O Gonçalo é o namorado da Joana”.

Enquanto a minha querida mulher se desfez em risos e, depois, em conselhos do género “beijocas só nas bochechas”, eu engoli em seco e continuei a guiar, sem dizer uma palavra – eu, sim, amuado – e a pensar na vida…

Não que me importe que a filhinha namore, nada disso, desde que o rapazito seja educado, bom aspecto e respeitador.

O problema é que estamos em tempo de crise e não me parece que haja por aí uma qualquer instituição bancária que me faculte o empréstimo para comprar o tal tanque de guerra.

O Papá

17 março 2009

"Pais"?

Há meia dúzia de dias atrás, ouvimos falar da tragédia dum bebé que ficou esquecido pelo pai dentro dum carro.

Ontem, ou anteontem, a notícia de dois irmãos que ficaram a brincar dentro dum carro, enquanto os pais iam buscar malas, ou coisa parecida, e que, acidentalmente ou não, destravaram a viatura que se despenhou por uma ravina de 20 metros abaixo.

Hoje, a notícia dum bebé de dezanove meses que estava a brincar numa varanda dum quinto andar e que se estatelou no alpendre do primeiro, depois de uma queda de 10 metros.

O primeiro morreu; os dois irmãos estão hospitalizados em estado considerado muito grave; o terceiro, hospitalizado está, em coma.

Quem me conhece, sabe que sempre fui apologista de que as pequenas crias devem aprender por elas mesmas e, dentro dos limites considerados seguros e razoáveis, sempre dei liberdade à nossa filhinha para explorar o mundo que a rodeia e, assim, assimilar o que é bom ou mau, seguro ou perigoso, verdadeiro ou falso e outros adjectivos similares.

Sei que muita gente me poderá considerar insensível mas, como pai que sou, continuo sem entender como é que acidentes deste calibre podem acontecer, a não ser por um total desleixo e estupidez nata.

O Papá

13 março 2009

Esquecimentos e lembraduras

Ontem, esqueci-me de picar o cartão de ponto depois de almoçar; lembrei-me – vá lá, lembrei-me – de ir comprar papel higiénico, algo de que me tinha esquecido anteontem; esqueci-me, há uns dias atrás, da porra do relógio, mas lembrei-me de pôr gasolina, e ainda bem, porque o bólide já andava a vapores; lembrei-me de comer meia sandes, a meio da manhã, porque, no meio da correria dos faxes e dos telefonemas, a barriga começou a fazer uns ruídos maliciosos; esqueci-me do euro milhões; ao abrir a porta de casa, para sair para mais um dia de trabalho, olhei para os pés da minha mulher e, com um sorriso gozão, lembrei-a de que ainda estava de pantufas; esqueci-me de dar comida aos peixes mas, ao passar ao lado do aquário, houve um estímulo cerebral que me lembrou desta tarefa caseira; tranquei a viatura à porta de casa, sim, tranquei, mas voltei atrás para confirmar porque, ao chegar a casa, estava com a impressão de que não o tinha feito; lembrei-me de mudar a fralda à pequena criatura e de lhe atirar com um bocado de pó de talco para cima das partes mais íntimas, porque reparei que estava um bocado assada; esqueci-me de pagar a conta do telemóvel, mas o operador mandou-me uma mensagem escrita para me relembrar.

Lembrei-me de sentar a pequena criatura na cadeirinha e de lhe apertar o cinto, antes de arrancar com o bólide rumo ao infantário.

Não me esqueci de a tirar da cadeirinha e de a levar, juntamente com a mochila, provida de fraldas, lanche e outros artefactos que fazem falta a uma bebé, para dentro da escola.

Não me esqueci de me baixar para lhe dar um beijo, desejar-lhe um bom dia e recomendar-lhe que se portasse bem.

Talvez não tenha o direito – e acredito, até, que não tenha – de julgar o “pai” que se esqueceu da pequena cria dentro do carro, durante três horas e debaixo da torreira do sol, provocando-lhe a morte, mas é daquelas coisas que não me cabem na carola e que acho totalmente inconcebíveis, apresentem as desculpas que apresentem, como cansaço, stress, excesso de trabalho e afins.

Não consigo, nem quero, imaginar a angústia por que este homem está a passar e que o vai atormentar para o resto da sua vida, a não ser que enfie um balázio pelos cornos dentro, e que é, sem dúvida, o maior castigo que se lhe pode aplicar, mas daí a manifestar o meu apoio e solidariedade…

Ter pena dum “pai” que esquece um filho dentro dum carro?

Não contem comigo!

O Papá

NOTA – Também publicado no Sempre-a-Produzir