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16 fevereiro 2010

OKmania

Alguns exemplos…

- “Mamã! Vou fazer chichi, ok?”
- “Papá! Eu levo o copo para a cozinha, ok?”
- “Antes de papar tenho que acabar de pintar o meu desenho, ok?”
- “O ursinho gosta de dormir comigo e é muito fofinho, ok?”

Obviamente, tenho os papás – especialmente o papá – a corrigirem-me a toda a hora e a dizerem que não é “ok” e que, em bom português, é “está bem”.

Está bem…

A Cria

13 fevereiro 2010

Espontaneidade asneirenta

A banda dos bombeiros voluntários cá da terra estava a ensaiar, como, geralmente, fazem todos os Sábados, e a pequena criatura foi logo a correr para a janela para assistir ao espetáculo.

A meio da musiqueta, foi à casa de banho e voltou, cheia de pressa, de modo a continuar a ver o bombeiral musical.

Quando chegou à janela a música parou e, com um ar muito indignado, a filhinha deixou soltar um sonante “merda”!

Sem acreditar bem no que tinha ouvido, vindo duma miniatura como a Joana que ainda nem fez quatro anos, perguntei-lhe, em tom mais ríspido, o que é que ela tinha dito, o que motivou um imediato pedido de desculpas.

Mas a coisa não podia ficar por ali e, após duas ou três insistências, a pequena cria lá se prostrou, muito cabisbaixa, à frente dos papás para voltar a pedir desculpa pelo que tinha dito e receber um pequeno sermão educativo sobre a asneirola.

O Papá

30 junho 2009

Maleita

“Mamã… Papá… Dói a boca” – disse, por várias vezes, a pequena cria, enquanto apontava lá para dentro.

E, afinal, o caso era bem simples.

Dói a boca é igual a dói a garganta, que está, efectivamente, um bocado inflamada.

O Papá

23 abril 2009

Inglês “made by Joana”

Antes do jantar, a filhinha esteve entretida a ver “Os Aristogatos”, falado em inglês porque o pai não vai muito à bola com as dobragens para o português… Não sei porquê, mas não me soa bem.

Uma das músicas do filme, que a pequena cria adora e que vai repetindo à sua boa maneira, diz que “everybody wants to be a cat”.

Acabado o filme, era ver a Joana a correr pela casa, carregada de bonecada a cantar “elibóli elibóli”.

O Papá

19 março 2009

O botão do comboio

Um dos meus entreténs, quando me lembro dele, é um comboio – ou melhor, a locomotiva dum comboio – que anda dum lado para o outro quando pressionamos um botão que mais parece a chaminé da maquineta.

Hoje, antes de sairmos de casa, decidi dar um pouco de trabalho ao comboio e, como o papá estava por perto, desafiei-o para a brincadeira e perguntei-lhe se queria cagar…

Num misto de riso e cara séria, o papá respondeu-me “Cagar, filha?

Xim, cagar o botão do comboio” – respondi eu.

Não é cagar, Joana.” – disse o papá – “Carregar! Carregar no botão do comboio.

Caguegar o botão!” – tentei eu, na minha boa vontade – “Cagar o botão!

Ah, raio de coisa difícil esta de pronunciar os “RR”.

A Cria

27 fevereiro 2009

Avião


Ao sair de casa, ao colo da mãe, a pequena cria sentenciou que não estava frio e, ao olhar para o céu azul, reparou num avião a esvoaçar a alta altitude, daqueles que vai deixando um rasto, tipo nuvem rabiscada, atrás dele.

Olha o avião, papá!” – disse a pequena cria – “A Joana não chega lá!

Pois não, filha. O avião vai a voar muito longe, muito alto e a Joana não chega lá, nem a mãe, nem o pai.” – respondi-lhe, convicto de que estava a dar uma pequena grande lição.

A filhinha não se fez rogada e, como já é habitual, tinha a resposta na ponta da língua…

Pois. A Joana não chega, a mamã não chega e o papá. O Peter Pan vai a voar com os meninos e chega ao avião. É, é!

O Papá

NOTA - Também publicado no Sempre a Produzir

02 fevereiro 2009

Resposta na ponta da língua - 02

Estando eu à janela a fumar um cigarro, a pequena cria entra cozinha dentro para me mostrar lembro-me lá eu o quê.

Sim, sim, filha” – devo ter respondido, numa de despachar a pequena cria – “Vai lá para a sala, porque aqui está muito frio.

A resposta, imediata, foi muito clara: “A Joana tem meias, papá!

O Papá

Fofos

O vocabulário da pequena cria vai crescendo a cada dia que passa e há coisas que temos consciência que nos passam ao lado, talvez pela vivência diária.

É um bocado como quando alguém que não vê a filhinha já há algum tempo nos diz que uma semana faz uma grande diferença.

Talvez por isso, há certas coisas que nos deixam perplexos, orgulhosos e com uma lágrima no canto do olho como ouvir a cria dizer, assim, vindo do nada, “o papá é fofinho e a mamã é fofinha”.

O Papá

O meu nome completo

Ainda sai um bocadinho atabalhoado mas, sem qualquer tipo de ajuda dos papás, já sei dizer o meu nome todo.

A Cria

26 janeiro 2009

Resposta na ponta da língua - 01

Depois de ver um pouco de televisão, a mãe disse à Joana que estava na hora de ir para a cama.

A cria, que estava recostada no sofá, levantou-se prontamente, agarrou nos tarecos – vulgo fralda, béu-béu e chucha – e dirigiu-se para o corredor.

Quando lhe dissemos que o caminho era para o quarto e para a cama dela, a resposta foi imediata:

Para o quarto da Joana não. O quarto dos papás é mais quentinho!

E, com uma resposta destas, tão convicta e rápida, não há volta a dar ao texto…

20 janeiro 2009

Olá!

Durante o filme Monstros & Companhia, há uma altura em que o Mike é confrontado com uma maquineta e solta um belo “Hello!”

De repente, a pequena cria olha para os papás e diz, com toda a desenvoltura e um sorriso daqueles que derretem qualquer um, HELLO!

Puxei o filme para trás duas ou três vezes para explicar a situação e a Joana aprendeu a sua primeira palavra em Inglês!

O Papá

07 janeiro 2009

Falatório nocturno

- Antes de mais, o contexto da situação…

Facto um.

Algures durante o fim-de-semana passado, a Joana apareceu na sala com uma fralda dela e o “Pipu”, o célebre boneco Winnie the Pooh.

Deitou o boneco no sofá, levantou-lhe as pernas, limpou-o com as toalhitas e tentou meter-lhe a fralda, assunto resolvido com uma pequena ajuda por parte dos papás.

Facto dois.

Ontem, depois do jantar e enquanto víamos um pouco de televisão, a Joaninha adormeceu, ferrada, no sofá.

Quando a fomos deitar, a pequena cria teve um ataque de tosse e, digamos assim, semi acordou.

Depois de emborcar uma colher de xarope, ainda meio estremunhada, a Joana pediu para ir para a nossa cama, pedido ao qual acedemos, convictos de que passados uns minutos a pequena cria já estaria a dormir ferrada e que a poderíamos levar de volta para a cama dela.

- A situação propriamente dita…

Já na cama, percebi que Joana já estava a dormir, outra vez ferrada, e comecei, eu próprio, a adormecer.

De repente, vindo do nada, oiço a pequena cria dizer, tal qual como se estivesse a discursar num púlpito, “O Pipu tem uma fralda como a fralda da Joana!

A minha resposta – qualquer coisa como “Pois é, filha, o Pipu também tem uma fralda” – misturou-se com o silêncio do quarto, entrecortado pelo som característico do sugar a chucha e a respiração serena da pequena cria, típicos de quem se encontra a dormir profundamente.

A mãe, também ela ferrada, não se apercebeu de nada e hoje, quando lhe comentei o acontecido, chegámos à conclusão de que ou vive intensamente os sonhos ou, então, a filhinha fala durante o sono.

O Papá

02 dezembro 2008

"Smokey"

Começa a ser uma das minhas paixões televisivas, “A Máscara” ou, como eu lhe chamo, “O Maluco”.

Acho aquele boneco doido muito engraçado, com o seu cãozinho que também é doido quando fica verde.

Para os papás, melhor do que me fazerem companhia durante os vinte minutos de cada episódio, coisa que fazem de bom grado porque também gostam do Maluco, é ouvirem-me a tentar cantar a musica do genérico e, no fim deste, gritar, segundo o papá, com um elevado grau de precisão e boa pronuncia, o célebre “Smokey!”

Nem sei o que ando para ali a dizer, mas acho giro!

A Cria

18 novembro 2008

Cores

Chegada a altura dos últimos preparativos, antes de sairmos de casa, vesti um blusão encarnado à Joana e, logo de seguida, vesti, também eu, um blusão da mesma cor.

Os comentários não se fizeram esperar…

É igual a Joana. A casaco da Joana é incarnado e o papá também. E as calças mamã?

Respondi-lhe que as calças são eram azuis e, logo de seguida, toda contente, perguntou-me a cor das botas da mamã.

Castanhas, filha” – respondi-lhe.

Não, papá, castanhas não!” – replicou a pequena cria – “A Joana gosta castanhas. As castanhas é para comer as castanhas!

O Papá

26 outubro 2008

Andam a gozar comigo!

Os papás parecem malucos!

Agora deu-lhes para se meterem comigo e dizerem que eu sou chata, feia e maluca, só para me chatearem e desatarem a rir às gargalhadas com o meu beicinho zangado, enquanto lhes digo que “não diz ixo! A Joana não é chata! A Joana é inda! A Joana é bebé!

A Cria

03 outubro 2008

Segurança no popó

Ultimamente, a filhinha tem feito uma fita desgraçada quando, sentada na cadeirinha do carro, lhe dizemos que tem que pôr o cinto de segurança.

Já lhe dissemos que o cinto é preciso, que o cinto é bom, que o cinto é para não fazer dói-dói na cabeça e já lhe dissemos que tem que pôr o cinto por causa do polícia.

A resposta foi clara: “A Joana não quer o “poícia” da Joana dá palmada!

13 agosto 2008

Dito com a maior das perfeições

Como te chamas? – “Joana”.
E a mamã, como se chama? – “Sónia”.
E o papá? – “João”.

31 julho 2008

Casa da madrinha

Como é costume, os papás disseram-me para me levantar e vestir para ir para a escolinha…

Colas não, papá! Caja tia Gaxa!

Só não percebi o ar perplexo dos papás a olharem um para o outro.

A Cria

29 julho 2008

Vocabulário inconveniente

Logo de manhã, enquanto a mamã andava dum lado para o outro, de copo de café com leite na mão, chamei a filhinha, que estava no nosso quarto a ver, como não podia deixar de ser, os desenhos animados do Canal Panda, para ir lavar as dentolas.

A resposta não podia ser mais clara e contundente…

A pequena criatura veio até ao corredor, viu que eu já estava a pôr a pasta de dentes na escova, virou costas e correu na direcção oposta, enquanto soltava um claríssimo “chato”!

Fiquei, obviamente, sem palavras, enquanto a mamã quase deixava cair o copo, numa reacção algures entre o soltar uma valente gargalhada e o ficar boquiaberta.

No final do episódio, depois da devida reprimenda,a pequena cria ficou com as dentolas lavadas, e muito bem lavadas!

O Papá

15 maio 2008

O Português é uma língua traiçoeira

É verdade, sim senhor, e mais verdade é quando falado por uma cria de dois anos, que quer dizer tudo, e mais alguma coisa, muitas das vezes com a chucha enfiada na boca.

Ontem, ao fim da tarde, a pequena traquina sentou-se em frente à televisão, para ver os programas habituais, com um ar muito contente, chamou-me e disse:

Papá, papá… Nana queca tão

Porra, filhinha”, pensei eu, “Com essa tenra idade e já a ver essas coisas?

Engano o meu… A Joana estava, tão simplesmente, a dizer que a Nana e a boneca estão a ver televisão.

O Papá