Assim que arranquei com o bólide, em direcção à escola, a pequena cria começou, tagarela, a debitar palavras a torto e a direito.
De repente, fez uma pausa e chamou: “Pai, pai!”
“Sim, filha. O que foi?” – respondi-lhe.
A resposta foi qualquer coisa como Gonçalo amuado ou Gonçalo muado ou Gonçalo nuado da Joana.
Engoli em seco e olhei para a mãe, que, com um sorriso doce, se antecipou e, antes que eu pudesse dizer fosse o que fosse, voltou a perguntar à filhinha o que é que ela tinha dito.
A resposta foi a mesma, que é como quem diz “O Gonçalo é o namorado da Joana”.
Enquanto a minha querida mulher se desfez em risos e, depois, em conselhos do género “beijocas só nas bochechas”, eu engoli em seco e continuei a guiar, sem dizer uma palavra – eu, sim, amuado – e a pensar na vida…
Não que me importe que a filhinha namore, nada disso, desde que o rapazito seja educado, bom aspecto e respeitador.
O problema é que estamos em tempo de crise e não me parece que haja por aí uma qualquer instituição bancária que me faculte o empréstimo para comprar o tal tanque de guerra.
O Papá
De repente, fez uma pausa e chamou: “Pai, pai!”
“Sim, filha. O que foi?” – respondi-lhe.
A resposta foi qualquer coisa como Gonçalo amuado ou Gonçalo muado ou Gonçalo nuado da Joana.
Engoli em seco e olhei para a mãe, que, com um sorriso doce, se antecipou e, antes que eu pudesse dizer fosse o que fosse, voltou a perguntar à filhinha o que é que ela tinha dito.
A resposta foi a mesma, que é como quem diz “O Gonçalo é o namorado da Joana”.
Enquanto a minha querida mulher se desfez em risos e, depois, em conselhos do género “beijocas só nas bochechas”, eu engoli em seco e continuei a guiar, sem dizer uma palavra – eu, sim, amuado – e a pensar na vida…
Não que me importe que a filhinha namore, nada disso, desde que o rapazito seja educado, bom aspecto e respeitador.
O problema é que estamos em tempo de crise e não me parece que haja por aí uma qualquer instituição bancária que me faculte o empréstimo para comprar o tal tanque de guerra.
O Papá



